segunda-feira, outubro 01, 2007

A tropa

Tenho para mim que a tropa, para aqueles que a fizeram, e sobretudo para os que estiveram em guerra, nas ex-colónias, foi um laço de união tão forte, ou talvez mais forte ainda, do que os laços de sangue. Deve ser por isso que a maior parte dos ex- combatentes se reúnem, de vez em quando, em encontros com almoços e fins de semana. Então é vê-los aparecer, agora já mais ou menos cinquentões, mais ou menos carecas, mais ou menos barrigudos, mas cheios de entusiasmo e saudades. Abraçam-se, dão grandes palmadas nas costas uns dos outros e mostram os álbuns de fotografias (a preto e branco) que trazem debaixo do braço, fotografias vagamente parecidas com eles, mas de quando eram jovens, magros, enfim, garbosos. Os álbuns passam de mão em mão e ao olharem as fotos, relembram aventuras (as que se podem contar, claro), e falam dos dias duros da recruta, dos levantamentos de rancho, dos rebentamentos das minas, das armas que dispararam, das que ao dispararem se encravaram, do comandante prepotente, do sargento lateiro, do furriel porreiro, dos que já morreram, dos que enlouqueceram, da vontade que têm de lá voltar, dos que já lá voltaram, das populações, da miséria que encontraram. Falam também da vida actual: do emprego, dos filhos, das doenças, enfim, a conversa flui como se tivessem estado juntos no dia anterior.
Tavira foi uma das cidades por onde passaram milhares de soldados. Chegavam de todas as partes do País. Junto à estação, há desde 2001 um conjunto escultórico, erigido pela Câmara Municipal, em homenagem ao passado militar da cidade.

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1 Comments:

Anonymous carmélio said...

Fátima,

Sou um dos que passou por Tavira por 6 meses: 3 de recruta e 3 de especilidade, terceira incorporação de 73. Comigo, foram mais 35 açorianos.
Foi uma "boa" experiência e gostava de lá regressar. Bom seria fazer um encontro com toda a malta que por lá passou.
Um abraço para o Luís.

2:44 da manhã  

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