
A sala de espera dum consultório médico, é, normalmente, um lugar de dor e de ansiedades várias, mas pode ser também uma espécie de laboratório social. Ontem, depois de fazer uns exames radiológicos e enquanto esperava os resultados, uma senhora de sessenta e sete anos (disse ela), sentada ao meu lado esquerdo, meteu conversa com um outro paciente que estava em frente de nós e que se lamentava das dores sofridas e dos seus receios em relação ao futuro. A Senhora começou por dizer aquelas frases de circunstância, de que
enquanto há vida há esperança e
que não devemos desanimar e
patatipatata, mas a conversa começou a interessar-me mesmo, foi quando a dita Senhora, Dona Maria Augusta (soube depois), disse:
Olhe para mim, sou o exemplo daquilo que digo, já estive morta e deitada num caixão! Sim, tenho fotografia e tudo! Pode ver-se, eu deitada num caixão, entre dois círios acesos, vestida com o meu vestido de baptizado e coberta de flores! O espanto e a incredibilidade gelaram a sala de espera e a Dona Maria Augusta continuou, depois de solicitada a explicar:
Olhe, eu tinha uns meses naquela altura, tive um ataque de meningite e fui dada morta por dois médicos, dois médicos (sublinhou ela)!
Os meus pais, cheios de sofrimento, trouxeram-me para casa e meteram-me no caixão, como tinham que fazer, e, talvez para um dia mais tarde mostrarem aos meus irmãos, mandaram tirar uma fotografia. Entretanto, eu tinha um padrinho que fumava tabaco de onça, e que se veio despedir de mim, mas quando chegou ao pé do caixão ia a fumar. Dizem que deve ter sido por causa disso, eu comecei a tossir e levantei um bracito por entre as flores! Foi um susto e uma alegria muito grande, mas na minha terra, lá no Pontal, ainda hoje me chamam a "morta viva".Moral da história: ainda há quem diga que o tabaco mata! Neste caso, salvou!
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