
O meu irmão Alfredo, é, sem exagero, um dos maiores consumidores de licor Beirão (ou era, já não sei bem). Depois de almoçar bebia um cálice deste licor, com bastante gelo e adorava. Pessoalmente, acho uma coisa execrável. Antigamente, na nossa casa faziam-se licores e eu, lembrando-me disso, ofereci-lhe um frasco de boca larga, cheio de cascas de maracujá, dei-lhe um papel com a receita e disse-lhe, é melhor fazeres o teu próprio licor! O meu irmão tomou a coisa a sério (aliás ele, às vezes, toma-me a sério): no dia seguinte, saiu de casa e foi comprar todos os frascos de boca larga das redondezas (podem crer que não estou a exagerar. O meu irmão gosta de muita opulência!) e, desde aí, passou a fazer licores de todos os frutos e ervas apropriadas. Um dia fui a Almalaguês, (Aldeia onde nascemos) e o meu irmão Gabriel, que vive lá, disse-me assim:
o teu irmão Alfredo comprou duzentos e cinquenta litros de aguardente! Para quê? perguntei eu.
Olha, para fazer licores. E pronto. Agora diverte-se a fazer os seus licores, para ele e para os amigos (
companheiros de copo e de cruz). Consta que se tem dado muito bem! Pelo menos é que dizem os amigos e restantes familiares.