O Regresso
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porque todo o silêncio é bordado de murmúrios...
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Está a decorrer em Lisboa, no São Luís, a Semana da Cultura Açoriana. Hoje fui assistir a esta sessão. Foi um privilégio. Mas, para mim, o ponto mais alto foi ouvir o Vasco Pereira da Costa a dizer poesia de autores Açorianos (Marcolino Candeias, Álamo de Oliveira, Emanuel Félix). Fantástico.Etiquetas: Açores


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A Senhora do queijo branco.
Já ando a contar os dias. Falta menos de um mês. É mesmo assim, mas, quando chega o verão e o sol aquece os meus dias, começo a pensar nos Açores, todos os meus sentidos me mandam para lá - uma simples relva cortada num jardim e eu "sinto" aquele cheiro dos pastos, tão característico da Ilha, logo de seguida, fico com saudades de ouvir o barulho do mar, perto da minha casa, depois penso nos sabores, no peixe, nos queijos, e, por esta associação na Senhora do queijo branco. Não sei se gosto mais do queijo branco, se da Senhora que o faz. Gosto daquela mulher. Gosto mesmo muito. Nunca lho disse, mas já lhe disse que ela é linda. E é. Parece nórdica, alta, seca de carnes, muito direita, olhos azuis, o cabelo que já foi loiro, muito bem penteado e aquele vestido de flores suaves, sempre absolutamente impecável, como lhe como lhe assenta bem! Tem cerca de oitenta anos e eu morro de inveja dela - tivesse eu aquele porte!
Quando lá vou buscar o queijo branco, como se diz nos Açores (para diferenciar do queijo da Ilha, o de S. Jorge), fico à porta e ela insiste num tom de voz amistoso "entre, entre pra dentro vizinha, não fique à porta". Lá entro, relutante, devagarinho, (naquela sala profusamente decorada de retratos de mulheres e crianças lindas, vestidas de branco, enfeitadas de flores e coroadas de toucados de tule, recordações de casamentos e comunhões, verdadeiras princesas!), como se estivesse a entrar num templo, tal é a limpeza, que ali reina. No verão passado, ao entrar, sofri aquele "murro no estômago" - no sofá, semi-deitado, aquele que em tempos, foi um homem forte e poderoso, o marido, agora como um Cristo decepado, com as duas pernas amputadas por cima dos joelhos .- Está melhor? pergunto, -"já está mais melhorzinho, graças a Deus! Os coriscos dos diabetes deram cabo dele! Mas o que se há-de fazer? É a vontade de Deus", diz-me ela sem revolta nem acinte. Tem cerca de oitenta anos e eu morro de inveja dela - tivesse eu aquela resignação!
Sigo-a até até à cozinha e escuto-a atentamente, enquanto manipula, com precisão e delicadeza, o queijo ainda mole, mudando-o do cincho para a embalagem de plástico, "agora leva umas pedrinhas de sal, deixa-o escorrer até amanhã e já está! Quer algum para amanhã?" Eu quero sempre e olho-a fascinada, tudo nela é delicadeza, elegância, precisão e sabedoria. Tem cerca de oitenta anos e eu morro de inveja dela, tivesse eu aquela competência!
Pergunto-lhe pelos filhos, - "estão todos bem, já esta semana falei com os dois que estão na América e o que está no Canadá telefonou ontem, os outros quatro, a viver por aqui perto, graças a Deus, todos os dias vêm cá a casa ver-nos e tratar do Pai". Quando chego aos Açores procuro-a sempre, por causa do queijo branco, que considero o melhor no género. Um ano não a encontrei, tinha ido para o Canadá ver o filho. Outro ano, disse-me que já não podia fazer mais queijo porque o marido estava internado, no Hospital. Sei que ela também gosta de conversar comigo, e já me contou como educou, os (sete ou oito) filhos, naqueles tempos difíceis: -"eduquei-os com muito rigor, sabe, nem tinha água quente canalizada e dava-lhes banho com água fria, debaixo da torneira do tanque da roupa! Eles ainda hoje falam nisso e riem-se! Tenho muita sorte com os meus filhos! São muito meus amigos! A mais nova deixou de viver na cidade, para vir viver para aqui, só para estar perto de mim e ajudar-me!" Tem cerca de oitenta anos e eu morro de inveja dela - tivesse eu esta Paz!
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Agora estou de partida. Vou deixar a minha casa, os amigos de cá, este mar, e, o elefante ali nas Capelas. Dizem-me que junto da tromba habita um tubarão, eu nunca o vi, nem quero, claro. Terei saudades, mas voltarei em breve. Etiquetas: Açores
Acabei de saber que o meu amigo Pedro Bicudo vai ser nomeado para a direcção da rádio e televisão públicas na RA dos Açores. Conheço o Pedro Bicudo e a sua capacidade de trabalho, coragem e determinação, desde que ele veio estudar para Coimbra. Tenho acompanhado a sua carreira e a maneira como ele se prepara de forma empenhada para fazer uma boa informação. Por tudo isso, acho que ao aceitar este desafio, que não é fácil, vai fazer um bom trabalho. Desejo-lhe as maiores felicidades!