segunda-feira, setembro 29, 2008

“Atidos a sapatos de defunto”

Como não tenho herdeiros directos, vou avisando os meus sobrinhos, que, no meu caso, não estejam “atidos a sapatos de defunto”, porque não vou deixar nada a ninguém, a não ser, talvez, umas dívidas - tenciono gastar tudo, o que não é muito difícil, claro. Eles preocupados: “dívidas porquê?” Tenho para mim, que, se lhes deixar dinheiro, ou outras probendas, eles, que até se dão todos bem, vão zangar-se por causa disso. Mas, se, por acaso, lhes deixar umas dívidas, como são pessoas honradas e de vergonha na cara, vão cotizar-se para as pagar. Estou cansada de ver filhos/irmãos, que sempre se deram bem, zangarem-se e afastarem-se uns dos outros, na altura das partilhas. É frequente, quando os pais envelhecessem, ou morrem e há herança, ver abrir-se a caixa de Pandora e os herdeiros à batatada. Mas pior do que isto, é, começarem, ainda em vida, a espoliar os pais e tirarem-lhes de casa, móveis, louças, roupas, dinheiro, enfim, coisas que são suas e que constituíam o seu mundo, com o argumento de que eles já não ligam, ou que já não precisam, ou que nem vão dar por isso. Absolutamente execrável e desumano. Depois, tudo isto será seguido da inevitável lista de acusações e brigas (tribunais, às vezes), porque aquele levou as coisas melhores e só deixou quinquilharia para os outros, etc., enfim, obsceno! Parece uma fatalidade: onde há bens, há cobiça. Eu e os meus irmãos, como não tínhamos quase nada para dividir, nunca nos chateámos por causa de partilhas. Claro que, discutimos e ralhamos uns com os outros, como qualquer família "Silva" que se preza, mas sempre “numa boa”, sem acintes nem rancores e sem deixar de falar uns com os outros e nunca, nunca, por causa dos bens materiais. É por isso que digo aquilo aos meus sobrinhos. “Ó Tia gasta lá tudo o quiseres (eles sabem bem como eu sou capaz disso), mas não deixes dívidas, por favor”, pedem eles, com receio de que eu desate a gastar demais e morra endividada. Vou-me esforçar por lhes fazer a vontade, mas não garanto.

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sexta-feira, junho 29, 2007

As netas dos meus irmãos

Na minha família nascem poucas mulheres. É um facto. O meu Pai teve cinco filhos, quatro rapazes, e, eis-me aqui, como excepção (má sina a minha, nascer mulher no meio de quatro rapazes, não é?). Os meus irmãos, por sua vez, só um deles teve duas raparigas, que entretanto já tiveram um rapaz cada uma. Os outros três irmãos, tiveram rapazes (para alegria das filhas e netas das amigas, dado que, segundo frequentes informações, o mercado de oferta masculina está fraco!). Bem, o meu irmão mais novo, o Joca, depois de ter dois rapazes, lá teve uma rapariga. Assim, aqueles que tiveram só rapazes, quando lhe nasceu uma neta, festejaram efusivamente. Conta a minha cunhada, que quando nasceu a Ana Gabriela, neta do meu irmão Gabriel (que teve três rapazes), se emocionou de tal modo, que veio gritar para a porta da rua (já tenho uma neta!!!), para assim anunciar a boa nova aos vizinhos. Como vive numa aldeia, onde é conhecido e respeitado, ninguém lhe vestiu uma camisa de forças, nem o internou num hospício.
Agora, nasceu a Carolina, neta do meu irmão Alfredo. Este, mais contido, no dia que ela nasceu, telefonou-me com uma voz que denunciava lágrimas e disse: "Pronto, já cá tens em casa uma menina para te entreteres".
Claro que me vou entreter com elas a fazer-lhe penteados, chapéus e laços, e com os rapazes? Com eles também. Bem, mas com esses jogarei a bola, não duvidem.

domingo, junho 19, 2005

Socorro!!! Tenho em casa dois "aborrescentes"!!!

Os meus irmãos, quando se ausentam do País, ou têm que exercer alguma actividade que implique não levar as preciosas crias, têm por hábito, vir entregá-las no meu pacato domicílio. Eu, fico feliz e muito grata, pela confiança demonstrada. Claro que a minha "vidita" assume, desde logo, outras dimensões:
- a da preocupação: estão tão magros, não comem nada (penso eu) ! vou comprar sacadas de comida! mas da comida que eles gostam! Sim, porque eu cá, sou só tia, não tenho que educar!
- a da negociação: do tempo que estão no computador, do tempo que jogam "game boy" (Joãozinho, não joges "game boy", quando vamos de carro!), do tempo que vêem televisão, das horas de dormir, do que querem comer, enfim!
- a da surdez - fingir que não ouço: tiiiiiiiiaaa! o Ricardo está-me a chatear!!!tiiiiiiiaaaa!!!!!!!
- a da ternura - tia, senta-te aqui um bocadinho, a ver o Gato- Fedorento connosco! É giro!
- a do merecido descanso - "quando a noite enfim os cansa..." e vestidos os pijamas, lavados os dentes, desligada a televisão, eu respiro fundo e sinto aquela agradável sensação do dever cumprido!
Nota: eu adoro os meus sobrinhos, obrigada Joca, por me dares a possibilidade de tratar deles! Só lhes chamo "aborrescentes", porque, às vezes, se aborrecem muuuuiiiiiiiiitttooooo, um ao outro! Acho que vocês entendem, ou será que sou uma tia chata?

sexta-feira, janeiro 21, 2011

A tropa deles e a minha

Eu sei quase tudo sobre tropa. Duvidam? É como se eu tivesse feito o serviço militar. No tempo da guerra colonial todos os jovens homens, da minha família, incluindo o meus três irmãos, foram à tropa. Toda esta vivência na minha adolescência e juventude deu-me um know-howsobre o assunto tropa, que nem calculam! Sim, fui madrinha de guerra duma data de rapazes, escrevi centenas de aerogramas, vi chegar amigos mortos, primos com estilhaços no corpo, ouvi as mães e namoradas chorarem, rezarem, desesperarem, enfim, vivemos um tempo de horror. Os meus irmãos, por um bambúrrio de sorte, que eu não sei explicar, não foram mobilizados para as colónias. Eles odeiam que eu diga que foi “sorte” - como têm a mania que são “bons” e como não tinham cunhas, acham que foi mesmo um esforço árduo, para ficar bem classificado, e, por isso, não foram “lá para fora”. E replicam: não eras tu que dizias, que antes querias um irmão vivo do que um herói morto? Portanto, e apesar de odiar este assunto tropa, o tema é frequente entre nós - fala-se, por exemplo, do primo António P., que foi dos primeiros a ir para Angola e que voltou com “stress pós traumático”, quando ainda nem existia esse diagnóstico, do irmão, o Urbano, que, na Guiné, foi vítima do rebentamento duma mina e tem, ainda hoje, essas dolorosas marcas, e daquele rapaz que veio tetraplégico e morreu, etc, etc.

Tenho para mim, que a tropa, para aqueles que a fizeram, e, sobretudo, para os que estiveram na guerra colonial, foi um laço de união tão forte, ou talvez mais forte ainda, do que os laços de sangue. Deve ser por isso que a maior parte dos ex- combatentes se reúne e convive, em almoçaradas e fins de semana. Então é vê-los chegar, mais ou menos cinquentões, mais ou menos carecas, mais ou menos barrigudos, mas cheios de entusiasmo e de saudades. Abraçam-se, dão grandes palmadas nas costas uns dos outros e trocam os álbuns de fotografias (a preto e branco), fotografias vagamente parecidas com eles, sim, de quando éramos todos tão jovens, magros, garbosos e sonhadores. Os álbuns passam de mão em mão e ao olharem as fotografias, relembram aventuras (as que se podem contar, claro), e falam dos dias duros da recruta, dos levantamentos de rancho, dos rebentamentos das minas, das armas que dispararam, das que não dispararam e se encravaram, do comandante prepotente, do sargento lateiro, do furriel porreiro, dos que já morreram, dos que enlouqueceram, da vontade que têm voltar a África, dos que já lá voltaram, das populações, da miséria. Falam também da vida actual, do emprego, dos filhos, das doenças, dos sonhos perdidos, enfim, a conversa flui como se tivessem estado juntos no dia anterior.

Estão a ver como sei “muito” sobre a tropa!
Publicado Aqui

segunda-feira, julho 28, 2008

Mas eu agora vou para Açores!

Se eu fosse uma cronista credível, empenhada, escreveria aqui um texto sobre a actualidade nacional, tão rica em acontecimentos dignos de registo. Que tal escrever sobre a crise e as pessoas viverem para além das suas possibilidades? Bem, é melhor não: sobre isso já tudo foi dito, só falta mesmo resolver a crise. Mas o grande problema, aquele que me preenche a cabeça e faz com que eu não consiga pensar em mais nada, é que estou-me a preparar para ir para os Açores, e, portanto, na minha cabeça só existe mar azul, montanhas de verdes, dias de sol e de bruma, estradas ladeadas de agapantos e hortênsias, bolos lêvedos, massa sovada e o mar calmo e quente no calhau, do fundo da minha rua. Tudo ali à minha espera!
Então e se eu escrevesse sobre o caso Maddie? Não, não consigo. Já não aguento mais e pior do que isso, como tudo leva a crer que a pobre criança esteja morta, não quero sequer pensar nisso. Além disso, está entregue à polícia, aos juízes, aos detectives, ao Gonçalo Amaral e aos jornalistas! Mas o magno problema, não sei se já vos disse, é que estou-me a preparar para ir para os Açores e dou comigo a pensar em chicharrinhos fritos, cracas em casa do MJ, lapas de molho Afonso, ananases a perfumar a minha casa e no mar calmo e quente do calhau, no fundo da minha rua. Tudo ali à minha espera!
Está bem, pronto! Que chatice! Isto da consciência pesada é uma seca! Que tal escrever sobre a Quinta da Fonte e no facto dos ciganos terem medo de voltar ao bairro? É um tema deveras candente - os ciganos a terem medo de alguém?!!! Recordo-me, a propósito, que, há uns anos, um dos meus irmãos teve um negócio duma loja de roupas. Faliu (na nossa família temos mais sucesso com o ócio de que com o negócio) e vendeu o rescaldo a um cigano, por cinquenta contos. O cigano levou o material todo, mas nunca pagou. Quando o meu irmão, ingenuamente, quis ser ressarcido, foi ameaçado e corrido a caçadeira. Agora deixam-me perplexa, os ciganos têm medo? Logo, também não vou escrever nada, sobre esta temática! Mas a verdade verdadinha é que estou-me a preparar para ir para os Açores, acho que já tinha dito, e, portanto, só penso no Pico da Barrosa, no Ilhéu da Vila-Franca, no Pinhal da Paz, nas Lagoa do Fogo, das Sete Cidades, nos meus amigos de lá e no mar calmo e quente do calhau, no fundo da minha rua. Tudo ali à minha espera!
E se eu perorasse sobre Manuela Ferreira Leite e naquela afirmação de que o casamento é para a procriação? Ora, o Pacheco Pereira que explique! Eu, estou-me a preparar para ir para os Açores.
Publicado tamém no sítio do costume

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segunda-feira, novembro 12, 2007

o papão, o homem do saco e o medo

Quando eu era pequena, lá na minha aldeia, existiam umas entidades mais ou menos obscuras, mais ou menos difusas, mas absoluta e completamente presentes, na linguagem e na vida das crianças: o papão, o homem do saco e o medo. Mas quem eram estes personagens? Hoje, e pensado nisso, acho que, naquele tempo, em que não havia ainda a pílula e em que as crianças eram mais que muitas, e em que não se falava sequer da necessidade de psicólogos, nem de pedopsiquiatras, e nem de pedagogos) eram uma espécie de travão com que os pais e avós (dado que também não havia creches) controlavam os filhos e os netos: Não vás para aí que vem lá o papão! Anda cá, olha o medo! Olha que o homem do saco te vai levar! Nós, as crianças, sobretudo as mais timoratas, tremíamos só ao ouvir estas exclamações e lá procurávamos refúgio nos braços dos pais ou dos avós. Depois, quando chegava a noite e a hora de dormir, as canções de embalar tinham que nos devolver a paz e a tranquilidade perdidas, e, normalmente, devolviam. É por iso que, ainda hoje, apesar dos medos e papões terem mudado de "aspecto", quando tenho medo, e tenho, como toda agente, lembro-me sempre da voz da minha Mãe a cantar, para mim ou para os meus irmãos:
Ó papão vai-te daí
De cima desse telhado
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado

Dorme, dorme, meu menino
Que a mãezinha logo vem;
Foi fazer uma visita
À Senhora de Belém

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segunda-feira, abril 21, 2008

Para os meus irmãos que são todos Benfiquistas e que me mandam piadas...

domingo, maio 15, 2005

Lutos e afectos




Porque é que sou do Sporting?

Depois do jogo de ontem, recebi alguns e-mails e telefonemas, de amigos provocadores, por causa do resultado. OK, os Sportinguistas sabem ser pacientes e esperar. Acho que lhes vou explicar porque sou do Sporting e não estou só.muitos felizmente. É uma questão de afecto.
Toda a gente sabe que eu não percebo nada de futebol. O Luís ri desalmadamente e com incredulidade quando eu digo coisas do tipo :"mão na bola" ou "contacto com o guarda redes" e diz: "só me faltava que tu agora também percebas de futebol!!!"
Os meus irmãos também não acreditam nesta sapiência e o meu irmão Alfredo, que nos dias de jogo, se fôr preciso, se senta em frente de duas televisões ligadas, para não perder pitada, até me faz testes do tipo: "quem é o treinador do Sporting?" E fica perplexo, porque eu sei o nome. O problema é que o meu Pai, que era do Sporting, tinha quatro filhos rapazes, todos do Benfica, e eu, a única rapariga, mas que não gostava de nenhum clube.
Passei a minha infância e juventude a ignorar arrogantemente o futebol, e até olhava para os Homens da família, de lado, quando eles discutiam acaloradamente, os casos dos jogos. e pensava para mim: "Homens, porque é que eles não crescem?" Mas, o tempo, que na sua passagem inexorável, tudo dá e tudo tira, ensinou-me a ser mais humilde. Assim, no ano que o meu Pai morreu, o Sporting ganhou o campeonato, depois duma série de anos de derrotas. E eu dei por mim, a ficar feliz em memória dele, e achei, por bem, assumir esse papel deixado pelo meu Pai: esperar que o Sporting ganhe, qualquer coisa, de vez em quando! Esperemos, portanto, até quarta-feira...

quarta-feira, novembro 21, 2007

"A morta/viva" - história da sala de espera, do consultório médico

A sala de espera dum consultório médico, é, normalmente, um lugar de dor e de ansiedades várias, mas pode ser também uma espécie de laboratório social. Ontem, depois de fazer uns exames radiológicos e enquanto esperava os resultados, uma senhora de sessenta e sete anos (disse ela), sentada ao meu lado esquerdo, meteu conversa com um outro paciente que estava em frente de nós e que se lamentava das dores sofridas e dos seus receios em relação ao futuro. A Senhora começou por dizer aquelas frases de circunstância, de que enquanto há vida há esperança e que não devemos desanimar e patatipatata, mas a conversa começou a interessar-me mesmo, foi quando a dita Senhora, Dona Maria Augusta (soube depois), disse: Olhe para mim, sou o exemplo daquilo que digo, já estive morta e deitada num caixão! Sim, tenho fotografia e tudo! Pode ver-se, eu deitada num caixão, entre dois círios acesos, vestida com o meu vestido de baptizado e coberta de flores! O espanto e a incredibilidade gelaram a sala de espera e a Dona Maria Augusta continuou, depois de solicitada a explicar: Olhe, eu tinha uns meses naquela altura, tive um ataque de meningite e fui dada morta por dois médicos, dois médicos (sublinhou ela)! Os meus pais, cheios de sofrimento, trouxeram-me para casa e meteram-me no caixão, como tinham que fazer, e, talvez para um dia mais tarde mostrarem aos meus irmãos, mandaram tirar uma fotografia. Entretanto, eu tinha um padrinho que fumava tabaco de onça, e que se veio despedir de mim, mas quando chegou ao pé do caixão ia a fumar. Dizem que deve ter sido por causa disso, eu comecei a tossir e levantei um bracito por entre as flores! Foi um susto e uma alegria muito grande, mas na minha terra, lá no Pontal, ainda hoje me chamam a "morta viva".
Moral da história: ainda há quem diga que o tabaco mata! Neste caso, salvou!

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domingo, setembro 10, 2006

(Histórias de Almalaguês) O meu tio Alfredo Santos (Lela)

Quando ele, ainda rapaz novo, mas já precedido de fama de conquistador, se atreveu a ir a casa da minha avó Maria, pedir a mão da minha tia Maria de Jesus, a minha avó perguntou-lhe:-casar contigo, a minha filha? Contigo só se for para morrer de fome! Tu namorador bailarino (era assim que ela lhe chamava), que não tens onde cair morto, tu que namoras com todas, que passas a vida nos bailes a tocar e dançar, como vais sustentá-la?
Ele respondeu-lhe: nunca faltou casa a vivos, nem cova a mortos!
Mas, como era de prever, lá casou com a rapariga. Trabalhou como um louco para a sustentar, a ela e aos cinco filhos, que entretanto foram nascendo, mas naqueles tempos de miséria e de fome, trabalhar a terra, não era suficiente para suprir as necessidades daquela já tão numerosa prole. Então, embarca para o Brasil, mais propriamente para o Porto de Santos, onde trabalha como estivador, durante longos anos. Ele dizia (entre outras coisas menos sérias, que eu não vou reproduzir aqui) que pelas costas lhe tinham passado toneladas e toneladas de café. Eu acredito. Quando voltou à aldeia, com um bom pé-de-meia (rico, comentava-se por lá), continuou a trabalhar, mas também a bailar, a comer e a beber bem, mas, sobretudo, a olhar para as raparigas novas, com aquele ar de predador que tanto o caracterizava! Foi sempre um homem de força, muito alegre e bem disposto! Ainda o estou a ver, já pelos seus setenta e muitos anos, alto magro, com um rosto vermelhusco, com um ar de malandro a olhar para as raparigas e a mandar galanteios. Pelas histórias que ele contavam, das suas aventuras, lá pelos Brasis, era uma lenda para os meus irmãos e para os homens em geral. Mas as mulheres da aldeia diziam: - É um galo doido! Sempre foi! Com os pés para a cova e continua doido! Só a morte é que o vai curar!
Nota: É o segundo na outra foto. Este post é uma homenagem que lhe quero prestar, quero também agradecer ao meu primo Artur, (neto do Alfredo Lela), as fotos!
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domingo, abril 24, 2005

Viva o 25 de Abril!


Porque festejo o 25 de Abril?

Porque fomos obrigados,
Por mais de uma década
A uma guerra estúpida e injusta
Onde muitos dos nossos jovens morriam
Ou vinham estropiados
Porque as mulheres andavam de luto
Porque os meus irmãos estavam na tropa
Porque o meu Pai era chamado,
Na altura das eleições
Pelo "presidente da junta de freguesia"
Para lhe lembrar onde ele devia votar
Dado que era funcionário público
Porque tínhamos de falar baixinho
Das coisas que queríamos para o nosso País
Porque eram proíbidas reuniões,
Certos livros e canções
Porque não tínhamos eleições livres
E estávamos isolados a nível internacional
Porque os PIDES andavam por toda a parte
A espiar a vida das pessoas
Porque alguns dos nossos amigos
E colegas, eram presos
E sobretudo, porque a Liberdade
A Liberdade, a Liberdade!
É um dos mais essenciais valores humanos
Enfim, é por estas e por muitas outras razões


Nota: Eu não tinha cravos e roubei-os daqui, espero que estes simpáticos e talentosos rapazes não me levem a mal.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Roubada e traída

Sinto-me roubada e traída. Traída sim, e, mal paga, literalmente. Não, não é o que estão a pensar: dessas traições, já não sofro, há pelo menos 30 anos, que eu saiba... Traída, porque acreditei que se trabalhasse, estudasse e me esforçasse, um dia seria compensada. Eu sei, eu sei - mentalidade Judaico/Cristã, "sofre, trabalha, sacrifica-te e ganharás o céu". Claro que eu não queria ganhar o céu, não sou assim tão ambiciosa, vinda de família pobre, queria, pura e simplesmente, ganhar o suficiente para ter uma vida decente, e uma velhice confortável. E, acreditando nisso, lá trabalhei, como a formiga da fábula - aos dezoito anos, com a 4ª classe, comecei a estudar de noite, porque, de dia tinha de fazer de dona de casa – a minha Mãe morreu quando eu tinha treze anos, e com três irmãos mais novos para cuidar, fui a gata borralheira, lá de casa, com direito a muito pouco. Foi assim que fiz o primeiro e o segundo ciclo e depois tirei um curso técnico. Trabalhei no laboratório duma fábrica durante seis anos e continuei a estudar. Entretanto, tive a sorte de mudar para um laboratório hospitalar que funcionava 24 sobre 24 horas, e aí acabei licenciatura e Mestrado. Para poder ir às aulas da faculdade, fiz os horários nocturnos, que me pertenciam e os que outros não queriam. Trabalhei sábados, domingos, feriados, noites e dias de Natal e de Fim de Ano. Penosas. Depois mudei de trabalho, fui Directora e Professora numa Escola Superior de Tecnologia da Saúde. Também aí dei o meu melhor. Sem me considerar diferente, nem superior a outras pessoas, que fizeram sacrifícios semelhantes aos meus, tinha sempre uma esperança, um objectivo: amanhã será melhor! Hoje não posso, pensava eu, mas um dia hei-de ter tempo e dinheiro para viver melhor, ler os livros que não pude ler e ver os filmes que não vi, e, viajar, viajar por horizontes apenas sonhados! E pronto, vivi nessa ilusão e nesse desiderato todos os trinta e seis anos em que trabalhei e fiz descontos. E agora, vêm estes senhores, que, como diz o outro – “não sabem nada da vida”, e, se calhar nunca fizeram sacrifício nenhum para ter tudo o que têm, e subtraem-me, uma grande parte da aposentação. Eu, como tantos outros que cumpriram, que pagaram os impostos e todas as coisas que adquiriram, sinto-me roubada e traída!
Publicado também aqui.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Para os meus irmãos que são Benfiquistas!

domingo, fevereiro 04, 2007

Para os meus irmãos

Benfiquistas que me obrigaram a publicar isto!!!

sábado, abril 12, 2008

Os meus irmãos que são Benfiquistas

e que têm mau perder, desde ontem são da Académica! É a vida, manos!

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quarta-feira, julho 04, 2007

Para os meus irmãos que são todos Benfiquistas!!!

Acho que eles vão adorar a cor deste equipamento! (Roubado daqui.)
Agora é que eles se vão inscrever, de vez, na Académica, que é o refúgio deles quando o Benfica perde!

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril - por todas as causas!

Os meus irmãos estavam na tropa... Um deles, o mais exagerado, quando fala do 25 de Abril, é como se o tivesse feito sozinho... e eu que o conheço, mentalmente relativizo, dividindo tudo por dez e ouço-o com a tranquilidade que ganhei nesse dia, em relação à guerra colonial!

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quarta-feira, dezembro 06, 2006

Os meus irmãos que são benfiquistas

e anti-sportinguistas (sobretudo o Joca),"obrigaram-me" a publicar este post... Pronto(S), já está, mas cá vos espero!
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sexta-feira, julho 25, 2008

ALEXANDRA, filme de ALEXANDER SOKUROV

Actualmente, há poucos filmes bons, mas este, é um dos melhores filmes que eu vi, nos últimos tempos, sobre a guerra. Embora a palavra Chechénia nunca seja pronunciada, sabemos que o filme se lhe refere. Tinha visto na apresentação que era um filme de guerra, e, logo à partida, decidi não o ver: de guerra e de conversas de guerra, estou cansada. Dos meus quatro irmãos, três estiveram na tropa, no tempo da guerra colonial, todos os meus primos e amigos, daquele tempo, também. Portanto, quando se juntam, só há um tema - guerra. Já não aguento o assunto. Contudo, a falta de filme melhor, aceitei a sugestão do Luís, que também esteve na guerra... Devo confessar, que, sem ver nem ouvir disparar um tiro, nunca vi um filme tão visceral e absolutamente anti-guerra. É um filme magnífico. Vá ver e habilite-se a levar aquele soco no estômago que que vem do olhar da saudade e da falta que faz tudo o que é afecto e "normalidade". Vá ver e sinta-se feliz por viver em paz.

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segunda-feira, maio 23, 2005

Parabéns aos Benfiquistas!

Não posso deixar passar este dia sem dar os parabéns, aos meus irmãos e amigos Benfiquistas! Foi bonito ver o País vestido de vermelho, também teria sido vê-lo de verde, mas paciência! Para o ano que vem, renova-se a esperança.
Agora feio, feio, foi ver a pancadaria no Porto, isso é altamente condenável. Nenhuma rua, ou avenida, deste País, é património de nenhum clube em especial. Vamos lá a ser tolerantes e desportistas!